segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

No salt, no massala, no chilli!

Há um mês e meio na Índia, esse foi o único mantra que aprendi até agora. Eu, que não como nem ketchup picante e não entendo como as pessoas podem gostar de uma comida que MACHUCA, vim parar na terra das especiarias e onde as pessoas comem pimenta como se fosse açúcar.
Eu não estou brincando. Nas barraquinhas de comida que ficam próximas ao meu trabalho, precisamos pedir aos vendedores para não colocarem massala – uma mistura de temperos picantes – nos sucos e nas saladas de frutas.
A tal da massala, inclusive, está em todo lugar. Nas prateleiras dos supermercados é difícil encontrar chips, macarrão instantâneo ou sopas que não estampem nas embalagens sabores como o Super Spicey Massala, Cheese Massala ou o temido Massala Tomato. E se com as pimentas podemos simplesmente ignorar o ardor e tentar tomar uma água, com a massala é impossível. Ela deixa sua marca registrada, aquele gosto característico que faz você ter certeza que aquela é uma típica comida indiana.
Há quem goste. Na verdade, há no mínimo 1 bilhão e 200 milhões de pessoas que gostam. Mas eu, com meu paladar infantil, confesso já ter me rendido à pizza há algumas semanas.
Mas nem tudo está perdido!
Na rua onde os trainees costumam almoçar é possível encontrar uma variedade de comidas indianas feitas para indianos. Isso quer dizer que você pode esquecer os padrões de higiene internacionais adotados por alguns restaurantes bacanas de olho em turistas. Do cara do café ao dono da empresa, tudo mundo aqui almoça no podrão ali de baixo. Anticorpo aqui é adquirido na marra.
IMG_3224
A paranta (essa aí da foto) é provavelmente o prato mais comum e o primeiro que eu tive vontade de comer. Uma espécie de pão com panner (um queijo que me lembrou o cottage no aspecto) ou batata dentro que é servido acompanhado de uma variedade de molhos. O pão é bem gostoso e fica ainda melhor quando você joga manteiga derretida em cima, mas eu preferi ignorar os molhos.
Com uma ajuda dos nossos amigos tibetanos, encontrei outra opção plenamente aceitável para meu paladar ocidental: os momos, uma massa recheada de frango ou vegetais que pode ser servida frita ou cozida. A comida tibetana é bem comum por esses lados da Índia e é mais leve e menos temperada. Uma delícia!
momo-spinach-0
Mas e aí, não rola um churrasco?
Não sei se é porque estou no norte e em uma das cidades mais ocidentais da Índia, mas não conheci nenhum indiano vegetariano e muitos deles me confessaram já ter provado carne de boi alguma vez na vida. Mas realmente esse é um artigo raro por aqui.
Como a venda de carne bovina ofende os hindus e de carne de porco ofende os muçulmanos, quem vira ensopado são os frangos. Aliás, não apenas ensopado, os galináceos aqui viram frango frito, assado, no espeto, frango tikka, presunto de frango… Antes de chegar aqui nunca achei que havia tantas formas de preparar uma galinha.
special-chicken-tikka-recipe
E os franguinhos, coitados, ninguém defende…
E tenho que agradecer tanto a Ganesha quanto a Alá pelo fato de que nenhum deles cismou que os frangos são sagrados ou impuros. Desde que cheguei aqui essa tem sido minha única fonte de proteína.
PS: Clique nas fotos para ver as receitas =)

1 comentários:

  1. Isso é engraçado... com o perdão das desinterias por aí. Eu comentei com o Rafa no Face que fui a um restaurante indiano aqui em BH e ele falou da saudade do feijão tropeirão. Comi tudo que podia com o máximo de pimenta possível e suei como azulejo de sauna. A gente se diverte com o que é diferente ou está longe. Parabéns pelo blog. Abraços!

    Marco Antônio Astoni

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